Política Industrial, Tecnologia Verde e Minerais Críticos
Apresentação
Desde o Acordo de Paris, as metas de descarbonização pressupõem a difusão acelerada de tecnologias de baixa emissão para o Sul global. Essa difusão esbarra em dois gargalos. O regime internacional de propriedade intelectual, consolidado no TRIPS e estendido por capítulos TRIPS-plus, organiza a circulação da técnica na direção contrária, e as condições de financiamento e de preço da matéria-prima acrescentam novas camadas de assimetria. Esta área investiga sob quais condições países em posição periférica podem reter valor ao instalar segmentos das cadeias verdes, quando licenciam uma tecnologia que não possuem, com capital tomado em moeda que não emitem, e exportam minerais críticos cujo preço não controlam.
O argumento que orienta a pesquisa reúne essas assimetrias numa única operação, aqui denominada transação composta de industrialização verde, que se deteriora por quatro canais de apropriação articulados entre si, o produtivo-estrutural, o proprietário, o financeiro e o biofísico. As transições (verde, digital e geopolítica) funcionam como uma juntura crítica, um intervalo em que essa configuração se torna passível de reorganização. Nessa área adotamos o conceito de "deterioração verde dos termos de troca" que, construído a partir da tradição estruturalista e das teorias da dependência, tenta articular os quatro canais como forma de analisar os processos de industrialização periférica em um contexto de transições e de competição geopolítica.

Artefatos e visualizações
A propriedade intelectual é um dos principais canais de retenção da renda entre países desenvolvidos. Esse artefato oferece um mapa da concentração de patentes e da proteção da tecnologia nas cadeias de valor que são objeto da política industrial de países em desenvolvimento como o Brasil.