Paulo Esteves
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Pós-Graduação

Laboratório de Análise de Políticas Públicas Internacionais (LAPPIS)

Ensino e pesquisa aplicada em políticas públicas internacionais, articulando as linhas de pesquisa a projetos e extensão.

NívelPós-Graduação
Carga horária60 h/a
Período2026.2
ProgramaMAPI

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Ementa

O Laboratório de Análises de Políticas Públicas Internacionais (LAPPIS), Desenvolvimento Internacional, é uma disciplina vinculada ao Mestrado em Análise e Pesquisa Internacional (MAPI) e à graduação em Relações Internacionais do IRI/PUC-Rio. O laboratório foi concebido para integrar ensino e pesquisa em torno de problemas de pesquisa específicos. Mais do que justapor essas atividades, o laboratório procura articulá-las, de modo que a investigação, orientada à solução de problemas, alimente a dinâmica da sala de aula.

No laboratório, alunos do mestrado profissional e da graduação desenvolvem trabalhos individuais em uma de duas trilhas. Na primeira, percorrem o ciclo completo de produção analítica sobre uma situação-problema, dos termos de referência ao artefato de comunicação. Na segunda, elaboram o projeto do seu trabalho de conclusão. A disciplina será organizada em torno de dois seminários, nos quais os trabalhos devem ser discutidos por pares, e de orientações individuais.

O foco desse LAPPIS recai sobre a agenda do desenvolvimento internacional, um campo que, longe de constituir um objeto estável, tem sido continuamente redefinido pelas transformações da ordem global. É a partir dessa agenda que o trabalho do laboratório se desdobrará nesse próximo semestre, em três linhas de investigação: (1) economia política dos minerais críticos, das tecnologias verdes e das políticas industriais; (2) cooperação internacional para o desenvolvimento; e (3) finanças sustentáveis.

Objetivos e conteúdo

Articular ensino e pesquisa em torno da agenda do desenvolvimento internacional, conduzindo cada participante a percorrer, de ponta a ponta, um dos dois percursos que a disciplina oferece: o ciclo de produção analítica sobre uma situação-problema ou a elaboração do projeto do seu trabalho de conclusão.

Articular ensino e pesquisa em torno da agenda do desenvolvimento internacional, conduzindo cada participante a percorrer, de ponta a ponta, um dos dois percursos que a disciplina oferece: o ciclo de produção analítica sobre uma situação-problema ou a elaboração do projeto do seu trabalho de conclusão.

A transição para uma economia de baixo carbono não se reduz a um problema técnico ou ambiental: ela reorganiza a divisão internacional do trabalho, redefine o valor estratégico de determinados recursos e recoloca o Estado no centro da disputa pela estruturação dos mercados. Minerais críticos, cadeias de tecnologias limpas e políticas industriais convertem-se, nesse contexto, em campos nos quais se decidem hierarquias de dependência e novas formas de acumulação. O problema de pesquisa consiste em compreender como a transição verde reconfigura as relações de poder entre Estados e entre frações do capital, e em que medida as políticas industriais voltadas a esses setores reproduzem ou tensionam as assimetrias da ordem econômica internacional.

A cooperação para o desenvolvimento constitui um campo historicamente estruturado pela relação entre doadores e receptores, dotado de suas próprias regras de legitimação, instrumentos e instituições. Esse campo vem sendo desestabilizado pela ascensão de novos atores, pela multiplicação de arranjos para além do eixo Norte-Sul e pela crescente subordinação da agenda do desenvolvimento a imperativos geopolíticos e securitários. O problema de pesquisa consiste em investigar como se redefinem as posições, os princípios de legitimidade e os instrumentos da cooperação, e o que essa reconfiguração revela sobre as transformações mais amplas da governança do desenvolvimento.

A mobilização do capital privado em torno de objetivos de sustentabilidade tornou-se um dos vetores centrais da agenda contemporânea do desenvolvimento, articulando instrumentos financeiros, critérios de avaliação e arranjos que aproximam atores públicos e privados. Essa articulação, contudo, não é neutra: ela inscreve as metas de desenvolvimento e de transição ecológica em lógicas de valorização financeira, redistribuindo o poder de definir prioridades e de capturar os ganhos resultantes. O problema de pesquisa consiste em examinar como as finanças sustentáveis estruturam relações de poder entre Estados, instituições financeiras e demais agentes, e em que medida subordinam, ou reorientam, os objetivos do desenvolvimento às exigências do capital.

O laboratório oferece duas trilhas, escolhidas na reunião de abertura em função do estágio e dos objetivos de cada participante. Todos os entregáveis são individuais. A linha de investigação é o quadro comum: participantes de trilhas distintas que integram a mesma linha compartilham o problema de fundo, discutem seus trabalhos nos mesmos seminários e se beneficiam do material levantado uns pelos outros, ainda que cada um responda integralmente pelo que assina.

A trilha A percorre o ciclo completo que vai da formulação de uma demanda analítica à entrega de um produto utilizável por quem decide. O nome não é decorativo: ele descreve a arquitetura dos quatro entregáveis e a razão pela qual estão nessa ordem, e não em outra. Cada etapa produz o insumo da seguinte, e a qualidade de cada produto depende da disciplina com que a etapa anterior foi cumprida.

A trilha B destina-se a participantes que utilizarão o laboratório para elaborar o projeto do seu trabalho de conclusão, sejam mestrandos do MAPI, sejam alunos de graduação em fase de definição da monografia. O percurso vai do tema à estrutura do projeto, organizado em quatro entregáveis cumulativos que, revistos, compõem o projeto final. A trilha enfatiza a consistência interna entre problema, referencial teórico-analítico, desenho metodológico, objetivos e relevância aplicada.

Metodologia e dinâmica. Regime de laboratório. A disciplina não tem horário fixo. O trabalho se organiza em torno de dois seminários coletivos, de orientações individuais agendadas e do trabalho continuado de cada participante. Seminários. Cada seminário é um momento de apresentação e crítica pública. Os trabalhos são enviados com antecedência definida no calendário e cada um recebe um debatedor designado entre os pares, responsável por uma leitura prévia e por uma devolutiva estruturada. Crítica por pares. A devolutiva do debatedor é organizada em potencialidades e pontos de atenção, e é ela própria objeto de avaliação. Aprender a ler o trabalho alheio é condição para aprender a ler o próprio. Sempre que possível, o debatedor designado pertencerá à mesma linha e à trilha oposta. Orientações individuais. Ocorrem em janelas de atendimento definidas no cronograma, mediante agendamento prévio, e têm por objeto o entregável mais recente. Oficinas da linha. Encontros curtos, convocados sob demanda, para trabalho técnico específico: levantamento e triagem de fontes, tratamento de dados, redação de peças curtas, desenho do artefato. Devolutiva formativa. Todo entregável recebe devolutiva escrita, estruturada em potencialidades e pontos de atenção. O endereçamento dessas devolutivas é avaliado no produto final.

Entregáveis

Trilha A · A1. Termos de referência
Trilha A · A2. Dossiê
Trilha A · A3. Briefing paper
Trilha A · A4. Artefato
Trilha B · B1. Tema, objeto, recorte e enquadramento
Trilha B · B2. Diálogo com a literatura
Trilha B · B3. Problema de pesquisa, justificativa, perguntas e hipóteses
Trilha B · B4. Fontes, método, contribuição, objetivos e sumário

Avaliação

O eixo transversal da avaliação é a consistência interna, ou seja, o quanto as partes de cada produto se sustentam entre si. Na trilha A, isso significa avaliar cada entregável contra o que os termos de referência prometeram; na trilha B, contra o alinhamento entre problema, referencial, método e objetivos.

Bibliografia

Básica

BOOTH, Wayne C.; COLOMB, Gregory G.; WILLIAMS, Joseph M. A arte da pesquisa. São Paulo: Martins Fontes.

CRESWELL, John W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. Porto Alegre: Penso/Artmed.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas.

KING, Gary; KEOHANE, Robert O.; VERBA, Sidney. Designing Social Inquiry: Scientific Inference in Qualitative Research. Princeton: Princeton University Press, 1994.

LAMONT, Christopher. Research Methods in International Relations. London: SAGE.

Complementar

BRYMAN, Alan. Social Research Methods. Oxford: Oxford University Press.

FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed.

GEORGE, Alexander L.; BENNETT, Andrew. Case Studies and Theory Development in the Social Sciences. Cambridge, MA: MIT Press, 2005.

GERRING, John. Case Study Research: Principles and Practices. Cambridge: Cambridge University Press.

KLOTZ, Audie; PRAKASH, Deepa (eds.). Qualitative Methods in International Relations: A Pluralist Guide. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2008.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas.

VAN EVERA, Stephen. Guide to Methods for Students of Political Science. Ithaca: Cornell University Press, 1997.

YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman.

As referências de análise de políticas e produção de peças voltadas à decisão, bem como as referências substantivas de cada linha de investigação, são definidas na reunião de abertura, em função dos objetos escolhidos.

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